sábado, 2 de julho de 2011

Análise da Canção do Exílio


Análise da Canção do Exílio


Análise Semântica

Parônimos

Na análise semântica podemos perceber que as palavras que se assemelham na grafia e na pronúncia, mas têm significados diferentes. Assim podemos perceber na Canção do Exílio com a paródia, onde fica claro o uso de parônimos.

Canção do Exílio


“Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tal não encontro eu cá;
Em cismar - sozinho, à noite-
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Onde canta o sabiá.”

GONÇALVES DIAS, Antônio. Poemas. Rio de Janeiro: Ediouro, 1996.

Paródia

Minha terra tem ilhas
Onde são banhadas pelo mar
As pessoas que aqui visitam
Sempre voltam para cá.

Nosso céu está brilhando
Nossas orlas, cheias estão...
Nossos bosques sempre floridos,
No olhar de quem está sorrindo.

Só de pensar, sozinho à noite
A solidão eu encontro lá;
Minha terra tem ilhas
Onde vejo aquele imenso mar.

Minha terra tem mais amores,
Que tais ainda podem encontrar;
Só de pensar, sozinho à noite,
Mais contente fico por lá
Minha terra tem ilhas
Onde vejo aquele imenso mar.

Não permita Deus, que eu adoeça;
Sem que eu veja tudo se realizar;
Acabar com a solidão...
Quando vejo aquele imenso mar.


A intertextualidade marcada pelo humor e pela ironia é chamada paródia. Geralmente, a paródia faz uma releitura crítica e jocosa de outras obras.
Os modernistas, sobretudo, utilizaram muito essa forma de intertextualidade para criticar textos consagrados na literatura brasileira, sob a perspectiva de humor. Por exemplo, um dos livros do escritor modernista Mário de Andrade recebeu o título de A Escrava que não era Isaura, numa referência crônica ao romance de Bernardo Guimarães, A Escrava Isaura.

Comparação do poema “Canção do Exílio”, de Gonçalves Dias, e uma paródia escrita pelo modernista Murilo Mendes.



Canção do Exílio

“Minha terra tem macieiras da Califórnia
onde cantam gaturamos de Veneza.
Os poetas da minha terra
São pretos que vivem em torres de ametista,
Os sargentos do exército são monistas, cubistas,
Os filósofos são polacos vendendo a prestações.

A gente não pode dormir
Com os oradores e os pernilongos.
Os sururus em família têm por testemunha a Gioconda.
Eu morro sufocado
Em terra estrangeira.
Nossas flores são mais bonitas
Nossas frutas mais gostosas
Mas custam cem mil réis a dúzia.

Ai quem me dera chupar uma carambola de verdade
E ouvir um sabiá com certidão de idade!”

MENDES, Murilo. Poemas. Rio de Janeiro: José Olympio, 1959.

Análise


Há uma atitude oposta dos dois autores. Enquanto Gonçalves Dias enaltece a terra brasileira, Murilo Mendes a critica. Na primeira estrofe, por exemplo, o poeta modernista ridiculariza a poesia elitizada do simbolista Cruz e Souza, que era negro: “Os poetas da minha terra/são pretos que vivem em torres de ametista”. Comenta nossa mistura de raças e sente-se um estrangeiro na própria terra.
Embora conserve o tema do primeiro texto, Murilo Mendes corrompe e modifica seu conteúdo, criando uma paródia. Ele transforma a idéia de exaltação de Gonçalves Dias, lançando mão da ironia e da crítica.


Autores: Daviane Maira Gazola, Joelma de Braga  e Maria Angela Souza

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